quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Lei e o 'Crime'

É muito engraçada a relação humana com suas atividades de sustento...
As pessoas, e sociedades, de um modo geral, agem de uma forma distorcida e muitas vezes até cômica nesta relação.
Dia desse eu estava no trem, faço isso com certa frequência, e reparei em uma coisa que já havia visto milhares de vezes, mas que nunca tinha me chamado a atenção, pelo menos não desta forma.

Trem parado, Lapa, entra um homem com sua mochila, até aí tudo normal, ele encosta na parede do vagão de uma forma muito cotidiana e logo após as portas se fecharem desfere seu já manjado bordão:
- Olha a Coca, Brahma, Skol!!!
Todos são atraídos por milésimos de segundos para a voz já rouca daquele cidadão. Muitos sequer lhe dão atenção, eu sim. Por algum motivo, naquele dia isso me prendeu os olhos. O homem vende umas três, talvez quatro latinhas e corre para 'reembalar' todo o emaranhado de plásticos que protegem sua bolsa da 'molhadeira' do gelo derretido.
A próxima estação está perto, o homem olha atentamente por entre os vidros. Sabe que um vacilo pode colocar tudo a perder... Ele se encosta novamente no vagão. Não quer levantar suspeitas. Muito menos arrumar confusão com os seguranças que torcem para prender uma bolsa como a dele num dia de calor.
Percebo que conheço aquele rapaz. Já o vi diversas vezes vendendo seus refrigerantes e cervejas dentro dos vagões. Neste momento, sim caro leitor no exato momento que o reconheço, me vem um questionamento à cabeça: Se eu que ando no máximo três vezes de trem na semana, conheço aquele homem. Como é que a segurança, que está diariamente nas estações, não põe um fim nas vendas de vagão?

Entenda meu amigo leitor... Eu não estou me colocando nem contra e muito menos a favor da venda nos vagões. Só estou dizendo que, se a CPTM luta tanto para acabar com o comércio em suas linhas, ao ponto de atrapalhar a viagem dos passageiros com aqueles avisinhos meia boca de que é tudo ilegal. Por que ela não identifica todo mundo e já não barra os comerciantes logo nos primeiros dias?
Depois deste episódio, outros fatos me chamaram a atenção com respeito à 'venda ilegal' de qualquer artigo que seja. Um exemplo é:
A polícia toda semana está na região da 25 de Março em São Paulo fazendo prisão de ambulantes e de mercadoria. Porém sempre existem centenas de ambulantes e mercadorias no centro da cidade.
Ao menos das vezes que fui até a 25 de Março, nunca me faltaram opções. E também nunca faltou policiamento, que é uma das vantagens que o Governo conta.
Observando isso, percebi que, ou os policiais (seguranças CPTM) só prendem mercadoria quando querem. Ou há uma grande hipocrisia em relação ao comércio informal...

De todo modo, é um caso para se pensar.



sexta-feira, 1 de maio de 2009

Blasterioplasto

Estava eu aqui, analizando hipoteticamente as loucuras e desplasias humanas, quando me lembrei que eu mesmo posso ser o louco maior. E que a minha loucura pode ser o mais contagioso dos vírus suinos, equinos ou galináceos de que se tem notícia.
Eu mesmo, em alguns momentos, não compreendo o avanço 'camisa-de-forlçal' de minha loucura prévia. Por isso decidi escrever estas linhas. Apenas para desabafar comigo ou com quem tem tempo de ler estes mal fadados textos o meu sentimento interio-emblemático. 

sexta-feira, 27 de março de 2009

E que invocado!

Você, caro leitor, já teve a impressão de entrar num lugar pensar que seria o pior programa da tua humilde vida e descobrir-se redondamente enganado?

Tive esta experiência ontem.

Acordei ontem numa chatice ímpar... Sem vontade de absolutamente nada. O dia correu tranquilo neste meu chalé improvisado debaixo da Ponte do Piqueri. Porém, o pior estava por vir!

Eu teria, irremediavelmente, que comparecer a aula de Técnicas Redacionais na universidade que a Cota-de-afro-descendentes-desempregados-por-conta-da-crise me proporcionou.

Chegando lá, ao adentrar os portões do que para mim seria o Massacre do Emissor X O Receptor Auditivo (no caso eu), já comecei adiantadamente a resmungar e proferir as mais escabrosas orações chulas que o meu russo pré-guerra conseguira expressar.

Mas o inimigo foi traiçoeiro, montou um esquema sofisticado, uniu-me a um par de garotas bonitas, levemente bronzeadas pelo sol do Mediterrâneo. Propôs uma atividade assas interessante, cheia de poesia, contos, frases e 'cases' publicitários... Coisas que em minha terra natal são como entregar notas de R$50 a um transeunte desnudo.

Pois bem, após a conclusão dos exercícios, que eram de uma facilidade insolúvel, senti-me saciado e cheio de alegria! Sim, caro leitor, o inimigo havia concluído seu objetivo! Havia me aniquilado, me enlaçado, me ludibriado, como um pai oferecendo um pacote de biscoitos ao filho desconsolado no supermercado.

E para me humilhar, para me desmoralizar publicamente, ainda deu o seu golpe final... Dispensou a classe UMA AULA mais cedo!!!

Foi o caos. Ficamos todos, os jovens e os senis, enbabacados com o poder de nosso adversário.



No fim de tudo, a melhor lição que se aprendeu foi:



NÃO SE PODE JULGAR UM DIA, PELO QUE SE ACHA QUE ACONTECERÁ NELE.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Paradise Now

Assista a este belíssimo filme, altamente recomendado por este blog!
Dica da querida colega Sheila Moreira do blog Coletivo.

Depende

Os fatos...
Fatos são coisas engraçadas. Eles dependem muito do ponto de vista.
Um camarada que presencia um acidente automobilístico, vai relatar os fatos de sua ótica e de seu peculiar ponto de vista. Embora na mesma cena hajam dezenas, ou talvez, centenas de pessoas com visões diferentes dos fatos, para a nossa personagem a sua descrição é a mais correta e completa existente no mapa mundi. 
Eu estive hoje em uma palestra do renomado colunista da Folha de S.Paulo Vinicius Torres Freire.
Ele explanava acerca de como a classe jornalista deve se portar diante da Crise Econômica.
Ao abrir para perguntas, no final de seu discurso, um jovem estudante indagou sobre a possibilidade da crise atual ser muito maior que a de 1930. Torres, muito gentilmente, expôs sua posição sobre esta afirmativa. O rapaz, não satisfeito, aquietou-se e aguardou o fim do evento. Ao sair, o jovem comunicador com anos pela frente para descobrir os mistérios do jornalismo eficaz fez uma série de exclamações contrárias e agressivas a pessoa do senhor Torres. Mal sabendo ele que esteve frente a frente com um dos maiores editores de economia do país e com experiência e confiabilidade que lhe dão direito de expressar a opinião mais absurda que se possa pensar.
Mas claro... Tudo depende do ponto de vista.