quarta-feira, 22 de julho de 2009

Minério


Houve um tempo em que eu esperava por uma linda garota, morena ou ruiva, de traços harmônicos e olhos redondos e amendoados. Porém isto era apenas uma grande utopia.
Eu jamais tive grandes idealizações quanto à escolha de uma esposa. Desejava apenas que ela fosse uma excelente pessoa, com caráter apurado e um ótimo senso de humor, além de inteligente e cheia de amor por mim.
Mas você deve estar se perguntando o porque de eu estar escrevendo sobre isto num momento tão disperso das tradicionais datas 'românticas'... Bem, já explico.
Hoje me deparei com uma utópica garota. Aparentemente perfeita e com todos os atributos físico-intelecto-sociais almejados por qualquer homem de bom gosto deste país. E ela me levou a refletir sobre coisas importantes da minha vida.
A verdade é que venho refletindo sobre o amor e a paixão em minha existência já há algum tempo. E encontrar aquela garota, só reascendeu as lâmpadas do meu raciocínio. Por alguns instantes, curtos, voltei a me perguntar o que é realmente importante numa garota para mim. E assim como das outras vezes, concluí que mesmo sendo uma pessoa extremamente chata e exigente, eu sou feliz com a garota que eu escolhi.
Minha garota, não é ruiva, não tem traços harmônicos e não tem olhos redondos e amendoados. Ela é negra, com traços comuns, olhos pequenos e negros e um enorme sorriso brilhante que me estremece toda vez que aparece espontaneamente em minha direção. Este sorriso, específico, sempre vem acompanhado de um estreitamento(ainda maior)dos pequenos olhos brilhantes da minha menina.
A minha garota, não é bonita classicamente, não chama a atenção por suas curvas ou sensualidade aparentes, mas sempre, onde quer que esteja, hipnotiza a todos com sua simpatia e desenvoltura. Não conheci (nem conhecerei) alguém que não goste dela. É impressionante! Ela é uma espécie de unanimidade. Um tipo de ser em extinção.
Dia desse eu estava reparando nela, no que me atraiu nela, no que me fez apaixonar, ela é tão diferente de mim que às vezes até eu me assusto em como nos identificamos e acabamos por ficar juntos. Mas ela é tão integra, tão gentil ao seu modo, tão independente de rótulos, de paradigmas, é tão inteligente, tão meiga, ela é tão especial. Certa vez até disse a ela: Como ninguém descobriu que você é tão bela? Como os homens não conseguem mais garimpar diamantes tão caros, iguais a você?
Ela riu.
Talvez não perceba que é assim. Talvez nunca ninguém contou. Talvez seja tão especial que não vê que é peça única. Talvez seja apenas modesta.
Mas certeza. É um diamante!

Só precisava dizer isso.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Em terra de gente lisa, quem tem bigode é rei!

Esta semana o Brasil vive um clima de tensão e, até mesmo, ansiedade.
Existe uma forte expectativa na queda do coronel, mandatário, nepotista... Enfim, do Presidente do Senado e Ex-Presidente José Sarney.
Houve comoção no Congresso, nas Câmaras, na mídia, na internet e no fim nada disso conseguiu, ainda, derrubar o faraônico político.
É claro que não se espera que movimentos dispersos e campanhas mal organizadas, com focos em diversos pontos do país e digitalmente planejados derrubem um homem tão poderoso, com um esquema escuso tão bem elaborado e conciso, devido aos 54 anos de poder quase que irrestrito na política nacional. Destaque para o Nordeste.
Mas é bom pensar que este tipo de movimento pode pelo menos sacudir a população e inflamar a massa para uma ação mais real e palpável. Exemplos disso não faltam, tanto para o bem como para o mal: O povo e a mídia, JUNTOS, derrubaram Collor. Torcidas ORGANIZADAS (pelo menos neste sentido o nome cabe) Marcam pela internet (muitas vezes concretizam) brigas e atos de vandalismo. Porque essas ferramentas não podem ser usadas para combater déspotas como José Sarney? Podem! E DEVEM!!!
O que falta é uma organização melhor. Boa vontade da mídia em divulgar atos de protesto (sem violência, claro) sem medo dos 'rabos presos'. Falta o povo querer mudar a situação do país, querer conhecer seus direitos, questionar os representantes que ele mesmo, povo, enviou para as cadeiras do governo. Ir as reuniões do Senado, das Câmaras Estaduais e Municipais e saber o que está sendo posto em pauta. Falta amor próprio.
Sarney, assim como outros tantos dinossauros da política nacional, não vai sair de sua zona de conforto por vontade própria ou porque meia dúzia de pessoas se reuniram em avenidas por todo o país. Mas se o povo começar a pressionar os governantes e fizer ações de evidente descontentamento e desaprovação dos métodos utilizados por estes mesmos governantes, eles serão obrigados a responder favoravelmente. Até pela manutenção de seus preciosos postos.
Sem fugir deste assunto e ao mesmo tempo descontraindo um pouco, eu lhes deixo um vídeo, feito como parte da campanha digital #forasarney, que tem apoio de diversas personalidades da mídia brasileira e hilariante por sinal, mostrando as 'últimas horas' e a 'última reunião' de Sarney com o PT.
Confesso que já pensei em fazer esta analogia entre o bigodudo de cá com o bigodudo de lá... Mas do jeito que foi feito... Só vendo:

domingo, 28 de junho de 2009

After birraid de midium

A propósito, após postar o texto 'Birraid de midium' fui conferir as novidades no Esporte Espetacular da TV Globo e me deparei com a belíssima matéria a seguir, sobre os jogadores da Liga da Canela Preta. Estes jogadores negros, lutaram contra o racismo no esporte em tempos de segregação racial intensa no Brasil.

Confiram, pois vale a pena:

'Birraid de midium'

Falemos um tanto de futebol...

Esta semana foi recheada de acontecimentos surpreendentes. Seleções, favoritismos, demissões, negociações, racismo, deficiência idiomática...
Pois bem, fiquemos com os dois últimos. Eu pensei no meio da semana e iria postar dois textos distintos sobre estes acontecimentos que, para mim, marcaram a semana e repercutiram razoavelmente. Mas percebi que eles tem algo em comum. Um ponto de convergência.
Primeiro vamos falar da acusação do lateral Elicarlos (Cruzeiro) ao atacante argentino Maxi Lopez (Grêmio). Segundo o lateral, o atacante o teria ofendido chamando-o de 'macaco'. Em primeiro lugar não há razão para 'macaco' ser xingamento, mesmo porque acredita-se que toda a raça humana ascende destes seres. E se há razão, vale a máxima que minha mãe sempre ensinou: 'Não se ofenda com o que você não é! Não serve para você!' Outro ponto é que não parece educado ou inteligente nos tempos que vivemos xingar alguém apelando para raças... Já está mais do que provado que negros, brancos, orientais, índios ou qualquer raça que seja contribuíram e contribuem muito para o desenvolvimento da sociedade. E de forma igualitária! Portanto não há sentido em querer se diminuir o outro apelando para este tom retrógrado.
Ainda mais no esporte onde isto é muito saliente.
Deve-se lembrar que os maiores atletas da história são negros: Pelé, Michael Jordan, João do Pulo,Tommie Smith e John Carlos, Daiane dos Santos, Vênus e Serena Willians, Lewis Hamilton, Samuel Eto'o, Anthony Nesty,Tiger Woods, Bill Russell, entre outros milhares. Por isso o mínimo de respeito é necessário.
Falando em respeito, outro fato chamou a atenção esta semana. O inglês do técnico Joel Santana.
Muito se falou, postou, riu, rimou, harmonizou e até ridicularizou sobre a
entrevista do comandante da seleção sul-africana. Porém, pouco se fez para analisar e criticar com bom senso suas palavras.
É de conhecimento geral que no País do Futebol as pessoas gostam de embarcar nas mazelas alheias e que aqui se ri dos outros mesmo tendo os mesmos defeitos ou até piores. A chamada 'Síndrome do Pavão.'
Isto aconteceu, na minha visão claro, no caso de Joel. Muitos falaram dele, riram do seu inglês de pronuncia terrível e até fizeram funks. Mas também muitos desses, se esqueceram que mal falam o português. Ou até tem conhecimento, muitas vezes vasto, da língua inglesa e se embananam na hora de conversar téte-a-téte no idioma.
Joel pode ter se atrapalhado, pode não falar um inglês nativo, pode até ter errado algumas expressões, mas eu garanto, foi compreendido por seu entrevistador. Ele foi corajoso. Não fugiu. Não se esquivou. Falou com fluência.
Fez o contrário de seus acusadores. Ele foi homem e deu 'a cara a tapa'. Muitos dos que riram dele jamais teram esta coragem e desenvoltura. O fato é que só aqui isso acontece. Só os brasileiros riem do mau idioma alheio. Eu aposto, que se ele conversar com um americano, inglês ou qualquer outro nativo ele não irá rir. Ele irá ajudá-lo a aperfeiçoar sua fluência.
Já disse o Paulo Autuori em sua entrevista sobre o racismo no jogo do Grêmio: 'Vamos parar de hipocrisia!' Todo mundo sabe que há racismo onde quer que se vá e que não é chamando desportistas para depor com cafezinho que vamos acabar com ele. Assim como não é discriminando os outros ou menosprezando seu esforço que se formará uma nação mais forte e sem deficiências.
Acorda Brasil! Existem temas sérios para se tratar do que rir ou humilhar.
Acorda Imprensa! Seu papel e missão é trazer educação e cultura, não incentivar a falta delas.

As vezes eu fico sem entender...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vide Rótulo

Esta semana surgiu um assunto na grande mídia que tomou as rodas de bar, as redações, as universidades e, principalmente, os recém-formados jornalistas.
Afinal, o diploma de jornalista, agora não obrigatório, é ou não é importante para o desenvolvimento da profissão?
Bem, eu confesso que num primeiro momento preferi ficar fora da discussão, até mesmo para avaliar os dois lados da questão e para ouvir argumentos de defesa e desaprovação da nova lei.
Pensando muito e observando prós e contras, me deparei com a excelente discussão proposta pelo blog
Coletivo de Sheila Moreira e ecoada pelos brilhantes Pós-Texto de Bruno Calixto e Entreditas de Renata Alves.

Cliquem nos links e tirem suas conclusões...

A minha deixo a seguir. Não com o brilhantismo dos profissionais acima, mas com minha humilde visão dos fatos.

Você já foi ao supermercado, pegou um produto, pagou e ao chegar em casa viu que aquele produto estava a uma semana do prazo de validade? Ou fez a mesma coisa e ao olhar a data se deparou com um produto já vencido? Ou ainda, chegou a comer, usar, desfrutar do artigo e só aí se deu conta da validade?
Pois é... É mais ou menos isso que milhares de estudantes de jornalismo, formados ou não, estão passando. Eles tem a impressão neste momento de que compraram um produto que não lhes será útil por muito tempo. Eles tem ou terão um diploma que segundo as novas regras, não é obrigatório. Eles investiram, além de dinheiro, tempo e concentração. Sacrificaram muito mais do que horas estudando para vestibulares e provas semestrais ou concluindo TCCs. Sacrificaram horas de
convívio familiar, namoros, amizades, diversão, cultura, viagens de férias ou de intercâmbio, apenas para se dedicarem a ter um diploma e uma profissão reconhecidamente de nível superior.
E quando digo nível superior não quero dizer que agora a profissão será menor, longe disso, só estou afirmando que nada é mais justo para alguém que se esforçou tanto, que ter o seu esforço reconhecido através de um destaque em relação a quem não teve este mérito. Seja isto por vontade própria ou não.
É fato que existem exceções e que algumas pessoas são naturalmente propensas a certas atividades, mas repito, são EXCEÇÕES. Não se pode generalizar. Se fosse assim, todos os médicos falsários que enganam centenas de pessoas e estão constantemente nos noticiários, poderiam exercer a medicina apenas por gostarem ou levarem jeito.
Além disso, na universidade são dadas noções valiosas sobre ética profissional e de cidadania que o indivíduo não formado terá que aprender sozinho e muitas vezes sofrendo com desilusões e até processos.
Outro ponto é a comodidade que haverá, agora declaradamente pois isso é papo velho, para 'ícones do jornalismo' indicarem filhos, sobrinhos, netos, cunhados, sogras... E todos os parentes, periquitos e papagaios que se possam imaginar para as melhores vagas, apenas por terem 'aptidão' para o jornalismo. Nepotismo barato.
Escrever, qualquer um escreve. O difícil é escrever com concisão. Não é o diploma universitário quem vai proporcionar isso, mas também não é a falta dele.
Não se preocupem amigos diplomados, nada vai mudar. Pensem em seus diplomas como um trunfo e não como um artefato decorativo em suas paredes. Lembrar o esforço desferido para alcançar este 'pedaço de papel inútil' é a força que vocês precisam para transpor as barreiras que ainda virão. A verdade virá... Sempre vem. E é sempre um jornalista quem a informa.

Carta que o atual presidente da Intercom (Sociedade Brasileira de Estados Interdisciplinares da Comunicação) enviaram ao STF. Nela, eles afirmam:

O diploma de jornalismo, que agora se discute, não constitui uma simples reserva de mercado. Estabelece, isto sim, que o jornalista deve passar pelos bancos da Universidade. Só ali esse agente da informação coletiva pode se qualificar profissionalmente. E onde pode adquirir clara percepção das responsabilidades que tem perante à sociedade.

Esta é a tese que advogamos, na expectativa de que os Juizes da Suprema Corte possam discernir o verdadeiro mérito do que vão decidir. Não se trata de defender uma categoria, mas, acima de tudo, garantir ao conjunto da sociedade brasileira o direito de ser bem, livre e corretamente informada.

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