quinta-feira, 5 de maio de 2011

Paixão


Paixão! A paixão tem validade, prazo, data. E ele é muito curto. Eu diria curtíssimo... Cientistas das áreas da psicologia e neurociência, afirmam categoricamente que a paixão é um estado químico transitório e que seu objetivo é apenas o de atrair as pessoas por um curto espaço de tempo para que elas possam conviver e possivelmente se amar. Hoje é um dia memorável na história pública mundial. È o casamento do Príncipe Willian, filho de Charles e Diana e netinho - herdeiro da poderosa e, por vezes, decorativa Rainha Elisabeth.
O rapaz, bem apessoado por sinal, une-se a Kate Middleton, plebéia assim como sua saudosa mãe e de personalidade bastante semelhante também. Não duvido por motivo algum que o nobre mancebo receba por esposa a jovem Kate com os melhores dos sentimentos e que dentre eles esteja o tão cobiçado amor. Longe de mim fazer tal julgamento. Mas ao acompanhar a cerimônia esta manhã me ocorreu um fato que encorajou a escrita desta crônica: Como tem gente casando por paixão!
Caro leitor, não é de meu feitio reparar ou comentar a vida alheia, mesmo porque Deus deu uma pra cada e a minha já me toma bastante tempo. Mas convenhamos que as pessoas casam-se cada vez mais brevemente nos dias de hoje.
Não digo que se casam muito jovens ou coisa parecida, definitivamente não, mas casam-se após um curtíssimo período de namoro e quase nenhum noivado. Paixões arrebatadoras que tomam conta dos pobres corações e levam milhões ao compromisso mais sagrado e sério que já pude presenciar. Pelo menos deveria ser assim.
Os mesmos cientistas da pesquisa afirmam que o estado de paixão dura em média 2 anos e depois ‘esfria’ do mesmo jeito que ‘esquentou’, repentinamente. O que vem depois disso é a soma da convivência, que inclui respeito, cumplicidade, gentileza, bondade, companheirismo, boa educação, entre outros e todos os nobres sentimentos. É o que chamamos popularmente de amor, ou laços que prendem um ser ao outro através de sentimento.
Pois bem. Seja como for o que se vê nos nossos dias é exatamente isso, casais que se conhecem, namoram, casam e separam-se meteoricamente num prazo muito próximo ao relatado na pesquisa. As pessoas não tem paciência para a convivência, para os defeitos, para as dificuldades. São todos muito imediatístas, perfeccionistas, buscam no outro a perfeição que lhes falta. E ao menor sinal de discórdia ou descontentamento já estão, como diz o ditado, ‘abandonando o barco’.
Não conseguem administrar as pequenas frustrações do dia-dia, as brigas, as discussões, as imperfeições próprias dos relacionamentos interpessoais. Parece até que todos se tornaram fracos, incapazes de conviver em sociedade, em dupla, em matrimônio.
Trocam de parceiros, maridos ou esposas como quem troca um produto que não atendeu minimamente aos seus desejos e necessidades. Não buscam um relacionamento. Buscam satisfação pessoal, preenchimento.
Apaixonados, não conseguem raciocinar para que caminhos rumam. E quando este ‘entorpecente sentimental’ se acaba já é tarde para voltar atrás sem grandes danos. Dá a impressão de que a beleza, perfeição e as boas virtudes dos dias de paixão acabam no mesmo instante que a química para de agir. É assim dia após dia, sucessivamente, com milhares de apaixonados.
Mas me mantenho otimista. Sei que tem muita gente que pensa como eu. Que busca o sentimento verdadeiro como uma jóia raríssima e não como um produto na gôndola do supermercado. Essas pessoas são cada dia mais raras. E querem um alguém para compartilhar, para viver, para enfrentar alegrias e tristezas, saúde ou doença. Querem construir juntos, formar a instituição mais lucrativa do mundo: uma família forte e unida. E isso não é conto de fadas ou um desejo impossível. Existe. E é para mim.
Desejo ótima sorte aos príncipes do Reino Unido! Que tenham felicidade, harmonia e amor. Mas antes de tudo, que sejam fortes para suportar a vida a dois. E que o olhar de Willian ao descobrir o véu de Kate dizendo como estava linda permaneça vivo todos os dias deste matrimônio.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O russo que desafiou o Demo..."crata"

Acabo de despedir-me com enorme dor no coração de MORTE DE UM DISSIDENTE, um dos melhores livros que já li. Cheio de reviravoltas políticas, bombas, suborno,escândalos, corrupção, e até uma minúscula bomba atômica.Sempre soube que não se deve crer numa história apenas por ouvir um lado dela. Porém confesso que a versão da história do espião russo que protestou contra o governo, e principalmente contra o presidente Putin, contada por Alex Goldfarb e Marina Litvinenko, respectivamente amigo e esposa do dissidente, é muito convincente.A história é contada de forma leve e informativa. Com uma riqueza de
detalhes, fatos e memórias só possíveis aos que realmente participaram dela.
Nesta narração em 1ª pessoa da história recente russa, com ascensão de Putin, retorno da KGB e envenenamento de Alexander "Sacha" Litvinenko, os autores relembram passo a passo desde os reais acontecimentos políticos da Rússia dos anos 90 à 2006 (quando morre Sacha), até sua versão sobre o desenrolar dos fatos. Tudo isso criando um paralelo com a vida do personagem principal e afunilando as histórias até o ápice de sua morte.
O livro leva o leitor a mergulhar no universo da espionagem russa e nos bastidores de sua política nos conturbados dias da guerra da Tchechenia numa visão muito particular dos fatos.
Uma ótima opção para quem gosta de leitura não ficcional e se interessa por um belo triller político.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bastardo Glorioso!

Genialidade... Adoro esta palavra!

Depois de muito tempo sem postar, encontrei tempo e um assunto inspirador para comentar. GENIALIDADE!
Hoje, feriado, resolvi ir ao cinema como tantas outras pessoas comuns. E fui para um evento especial. Fui ver o novo filme de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios (INGLORIOUS BASTERDS) Veja o trailer:


Além de admirar profundamente a obra do Sr. Tarantino e sua mente sui generis, estava ansioso para ver o filme que, supostamente, trata de nazismo e vingança. Mas sempre há algo mais que se esperar de Tarantino.
E é exatamente isso que ele apresenta nesta obra. Sem deixar de lado sua estética sangrenta e, por vezes, cronologicamente fragmentada, o diretor conta de forma ficcional um dos maiores eventos históricos do mundo. Até aí nada de mais. Muitos já fizeram isso. Outros tantos já se arriscaram a contar o drama do 3º Reich com sua própria visão. Mas estamos falando de Quentin Tarantino! Ele jamais deixaria de ser excêntrico e incomodo ao contar esta história.
O filme se desenrola numa narrativa muito particular e com elementos pop bem ressaltados. Mesmo se tratando de uma história de guerra, tem diversos momentos cômicos que quebram momentaneamente a tensão típica deste gênero.
Aliado a isso, o filme trás uma surpresa no mínimo inusitada. A participação de Mike Myers num papel SÉRIO! Confesso que só me dei conta da presença de Austin Powers por ter visto seu nome nos créditos iniciais.
O filme ainda conta com um trunfo digno de aplausos. Não contente em mostrar uma visão popular do nazismo e um nacionalismo americano sarcástico, Tarantino ainda propõe ao espectador, utilizando a inversão de papeis, a sensação prazerosa sentida pelos alemães ao matar judeus.
Este é o ponto que achei GENIAL! Ele joga no colo do público a decisão de se alegrar ou refletir se é correto ter prazer com a morte cruel de massas. Mesmo que sejam massas guiadas por um ideal duvidoso.
Não quero entrar aqui nos pormenores do filme (quem conta o filme é estraga prazer). Mas fica a dica para quem aprecia um cinema inteligente, crítico e dinâmico.


BASTARDOS INGLÓRIOS, de QUENTIN TARANTINO. Com: Brad Pitt, Eli Roth, BJ Novak, Mike Myers, Michael Fassbender, Diane Kruger, Til Schweiger, Julie Dreyfus.

Vale a pena. Até a próxima!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Reformulando opiniões

Temporariamente fora do ar.

Voltaremos em breve com mais atualizações e opiniões.

Um grande abraço a todos.

Sid Britto

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Minério


Houve um tempo em que eu esperava por uma linda garota, morena ou ruiva, de traços harmônicos e olhos redondos e amendoados. Porém isto era apenas uma grande utopia.
Eu jamais tive grandes idealizações quanto à escolha de uma esposa. Desejava apenas que ela fosse uma excelente pessoa, com caráter apurado e um ótimo senso de humor, além de inteligente e cheia de amor por mim.
Mas você deve estar se perguntando o porque de eu estar escrevendo sobre isto num momento tão disperso das tradicionais datas 'românticas'... Bem, já explico.
Hoje me deparei com uma utópica garota. Aparentemente perfeita e com todos os atributos físico-intelecto-sociais almejados por qualquer homem de bom gosto deste país. E ela me levou a refletir sobre coisas importantes da minha vida.
A verdade é que venho refletindo sobre o amor e a paixão em minha existência já há algum tempo. E encontrar aquela garota, só reascendeu as lâmpadas do meu raciocínio. Por alguns instantes, curtos, voltei a me perguntar o que é realmente importante numa garota para mim. E assim como das outras vezes, concluí que mesmo sendo uma pessoa extremamente chata e exigente, eu sou feliz com a garota que eu escolhi.
Minha garota, não é ruiva, não tem traços harmônicos e não tem olhos redondos e amendoados. Ela é negra, com traços comuns, olhos pequenos e negros e um enorme sorriso brilhante que me estremece toda vez que aparece espontaneamente em minha direção. Este sorriso, específico, sempre vem acompanhado de um estreitamento(ainda maior)dos pequenos olhos brilhantes da minha menina.
A minha garota, não é bonita classicamente, não chama a atenção por suas curvas ou sensualidade aparentes, mas sempre, onde quer que esteja, hipnotiza a todos com sua simpatia e desenvoltura. Não conheci (nem conhecerei) alguém que não goste dela. É impressionante! Ela é uma espécie de unanimidade. Um tipo de ser em extinção.
Dia desse eu estava reparando nela, no que me atraiu nela, no que me fez apaixonar, ela é tão diferente de mim que às vezes até eu me assusto em como nos identificamos e acabamos por ficar juntos. Mas ela é tão integra, tão gentil ao seu modo, tão independente de rótulos, de paradigmas, é tão inteligente, tão meiga, ela é tão especial. Certa vez até disse a ela: Como ninguém descobriu que você é tão bela? Como os homens não conseguem mais garimpar diamantes tão caros, iguais a você?
Ela riu.
Talvez não perceba que é assim. Talvez nunca ninguém contou. Talvez seja tão especial que não vê que é peça única. Talvez seja apenas modesta.
Mas certeza. É um diamante!

Só precisava dizer isso.